Todo mundo hoje fala em "ser data driven", "olhar os dados", "ter um dashboard". Aí o dono monta uma tela cheia de gráfico colorido, olha uma vez, acha bonito e nunca mais abre. O problema não é falta de dado. É excesso de dado sem foco.
A verdade é simples: um negócio pequeno ou médio não precisa de trinta indicadores. Precisa de cinco números que você entenda de cabeça e olhe toda semana. Esses cinco te dizem se o barco está furando, ganhando velocidade ou parado. O resto é decoração.
Vamos ao que interessa.
1. Caixa: quanto dinheiro entra e sai de verdade
Esse é o número que mantém a porta aberta. Não é faturamento, não é lucro no papel — é o dinheiro que efetivamente entra e sai da conta.
Muita empresa "vende bem" e quebra por caixa. Vendeu R$ 50 mil no mês, mas metade é a prazo, os fornecedores venceram hoje e a conta está no vermelho. Olhar só o total vendido esconde isso.
O que olhar toda semana: quanto entrou, quanto saiu, e quanto vai vencer nos próximos 15 e 30 dias. Se você não sabe responder "tenho dinheiro para pagar as contas das próximas duas semanas?", nenhum outro número importa ainda.
2. Faturamento contra a meta
Faturamento sozinho não diz nada. R$ 80 mil é bom ou ruim? Depende da meta.
Compare sempre o que você faturou com o que precisava faturar. E olhe o acumulado do mês, não só o dia. Uma semana fraca pode ser normal; três semanas seguidas abaixo da meta é um alerta que você quer ver cedo, não no dia 30 quando já não dá para reagir.
Exemplo prático: uma loja com meta de R$ 100 mil no mês precisa de uns R$ 25 mil por semana. Se na segunda semana está em R$ 35 mil acumulado (deveria estar em R$ 50 mil), você ainda tem tempo de puxar uma ação, mandar um WhatsApp para a base, girar o estoque parado.
3. Custo de aquisição de cliente (CAC)
Quanto você gasta para conseguir um cliente novo? Some tudo que você investiu em anúncios, tempo de equipe e ferramentas para trazer gente, e divida pelo número de clientes novos no período.
Se você gastou R$ 3.000 em divulgação e trouxe 30 clientes, cada cliente custou R$ 100. Simples assim.
Por que isso importa: se cada cliente custa R$ 100 para entrar e gasta R$ 80 com você, o negócio está perdendo dinheiro a cada venda nova. Você só descobre isso quando coloca o número na frente. Sem ele, você acha que está crescendo quando na verdade está subsidiando cliente.
4. Ticket médio
Quanto o cliente gasta, em média, por compra? Faturamento dividido pelo número de vendas.
Esse número é uma das alavancas mais baratas que existe. Subir o ticket médio de R$ 80 para R$ 95 não custa anúncio nenhum — é combo, sugestão na hora da venda, um serviço a mais oferecido. Muitas vezes dá mais resultado do que correr atrás de cliente novo.
Acompanhe semana a semana. Se caiu, pode ser desconto demais, mix de produto errado ou equipe deixando de oferecer o item de maior valor.
5. Taxa de recompra (retenção)
De cada 100 clientes que compraram, quantos voltaram? Esse é o número que separa negócio saudável de esteira furada.
Trazer cliente novo é caro (lembra do CAC). Fazer quem já comprou voltar é muito mais barato. Se a sua taxa de recompra é baixa, você está enchendo um balde furado: gasta para trazer, o cliente compra uma vez e some.
Um pequeno aumento aqui muda o jogo. Se hoje 20% dos clientes voltam e você leva para 30%, o faturamento sobe sem gastar um real a mais em divulgação.
Por que menos é mais
Um painel com 20 gráficos dá uma falsa sensação de controle. Você olha, sente que "está acompanhando", mas não decide nada — porque não sabe onde focar.
Cinco números você decora. Você sente quando um deles sai da linha. E cada um puxa uma ação clara: caixa apertado, você segura compra; meta atrasada, você ativa a base; CAC alto, você revê a divulgação; ticket baixo, você treina a oferta; recompra fraca, você cria motivo para o cliente voltar.
O que fazer nesta semana
- Escolha os cinco números e escreva os valores atuais numa folha. Só isso já vai te surpreender.
- Defina a meta de cada um. Sem meta, o número não fala.
- Marque um horário fixo na semana — 20 minutos, segunda de manhã — só para olhar os cinco.
- Para cada número fora da linha, decida uma ação. Não precisa resolver tudo; precisa reagir.
Se juntar esses cinco números hoje dá trabalho porque estão espalhados em planilhas, no sistema da loja e na cabeça de alguém, esse é justamente o sinal de que dá para automatizar. A Kriteria pode montar esse painel com você, puxando os dados direto da fonte, para que na segunda de manhã os cinco números já estejam na tela — atualizados, sem digitar nada.